Sonhar e navegar são precisos, só não embarque em canoas furadas!

Era uma vez, em que lindos rincões litorâneos banhados pelo Atlântico da América do Sul, e dignos de um cartão postal, foram visitados por portugueses curiosos e muito ambiciosos vindos de Portugal.

E por conta própria, resolveram se apossar das terras seduzindo seus proprietários ingênuos, os índios nativos, com espelhos, tecidos, especiarias e outras porcarias, fazendo expressões faciais de que com este preço, tinham passado com sucesso os inexperientes índios para trás.

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E mandaram cartas comunicando o grande achado ao vosso rei, tamanha a fartura de riquezas achadas encima e abaixo de um solo, em que se plantando qualquer coisa nele, ele tudo dá.

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Dá até pena do antigo proprietário também, porque em função deste otimismo e domínio forasteiro, arrancaram até as penas que podiam sentir pelo índio brasileiro, permitindo-lhe apenas, em tom de favor, que podia ele continuar usando seus cocares desde que para eles trabalhasse de graça e lhes oferecesse ainda, o calor corporal da sua esposa serviçal acostumada até então, e tão somente, ao fiel, espontâneo e prazeroso compromisso tribal.

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Estava decretada e sob posse lusitana, a permanência do capital estrangeiro no Brasil, que a pretexto de colonizar e desenvolver tão nobre colônia, vieram mesmo é pras suas riquezas explorar. Pra isto, mandaram em navios, um após o outro, extensas legiões de gajos nada requintados e recém-libertados, ganhando também assim com o esvaziamento dos outrora lotados presídios da sua terra natal.

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E no retorno dos navios, abarrotados de ouro do Brasil, estava assegurado o pagamento do frete de volta, levando o nativo precioso metal dourado pra uma viagem sem volta. Mas era muito grande e extenso o Brasil de Portugal, que muitas e muitas viagens seriam feitas seguidamente, num apetite sem igual.

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Era tanto ouro que aportava em Lisboa, que não demorou pra que seus abastados nobres, porém endividados, pagassem em pouco tempo seus empréstimos tomados junto aos seus credores ingleses, numa transação fenomenal. O mesmo aconteceu com os credores ingleses, que pagaram e ligeiro aos seus credores holandeses, inventores do capitalismo que se espalharia ao mundo inteiro.

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Os holandeses eram especialistas em emprestar dinheiro mediante o oferecimento de  lastros valiosos e por inteiro, a qualquer governo ou forasteiro estrangeiro que topasse arriscar seu pescoço ao não poder pagar. Seus cobradores eram especialistas, escolhidos a dedo e muito bem pagos, verdadeiros visionários em achar devedores inadimplentes, embora fossem conhecidos por mercenários, matadores de elite, mas sempre questionados por muitos devedores que tal elite era o escambau, em que se destacou o maior dos seus líderes, o tal Maurício de Nassau.

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Os juros cobrados pelos holandeses no começo eram simples, mas queriam eles mesmos era cobrar juros até dos próprios juros, já que sua ganância normalmente era proporcional à notável altura que esses donos do dinheiro apresentavam, que pra disfarçarem suas alturas e ambições, e expor confiança aos visitantes tomadores de empréstimos, resolveram se fixar em países baixos pra morar.

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Mas pra convencerem da justeza de cobrarem juros compostos, diziam a quem não estivesse com isto satisfeito, mas geralmente sem outra opção de emprestar: “vai então, pegar dinheiro em outro lugar!”. Convenciam então, e facilmente, aquele pobre endividado e geralmente bem vestido, mas devendo na praça feito um condenado jumento, só com este “razoável” argumento.

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Descobrindo mediante serviços bem pagos de informação, que a origem de tanto ouro com que lhes quitavam seus débitos os seus recorrentes e fiéis clientes ingleses, procedia da vizinha Portugal, que tinha achado muitas minas de ouro numa terra distante, pela sorte e competência de um tal Pedro Álvares Cabral, que resolveram eles próprios, os holandeses, a arriscar a sua boa sorte também, ao destacar Maurício de Nassau e seus meninos travessos, todos eles muito bem armados com toda sorte de trabuco, e eis que vieram a dar eles contentes e sem demora, com a sua surpreendente presença no litoral de Pernambuco.

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Mas quem vendeu muito bem a eles a informação do local das minas de ouro, vendeu por preço ainda maior o aviso a Portugal, que por conta disto se armou a esperar pra rechaçar a invasão holandesa, frustrada mesmo sendo comandada pelo valente Maurício de Nassau.

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O que não foi visto e nem contado, é que um sobrevivente holandês das batalhas, mesmo ferido sem o dedo menor na mão esquerda se enfiou mata a dentro, feito um ligeiro raposão, e lá no meio do sertão pernambucano, fez sua morada e tratou de fazer logo a sua procriação.

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E não é que de geração em geração, não demorou nem quatro séculos pra que um descendente seu mais esperto, e com espírito de agiotagem capitalista herdado e correndo nas suas veias, viesse na cidade morar. E foi mais adiante na sua esperteza, pois escolheu a região do ABC em São Paulo, o seu local preferido pra fixar residência, e assim recrutar seus meninos de elite, assim como um dia fez seu grande líder e mentor, o inspirador Maurício de Nassau.

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E sua ambição era tanta, que entrou na política pra virar presidente. Pois na sua genética lembrança, isto era fundamental e importante pra se apossar, não de uma mina de ouro somente, mas de todas as minas que fossem possíveis de incluir num mesmo imbróglio de “maracutaias”, e disfarçadas de medidas salvadoras “nunca antes aplicadas e vistas na história política deste nosso Brasil”.

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E não é que pra decepção de seus comandados e companheiros, o que lhes foi prometido e não cumprido, não somente não se realizou como solução, mas se apresentou como um problemão de todos, quando o que se viu surgir foi um enorme buraco no erário, cheio de lamas e corrupção?

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Pernambuco é um lindo Estado da Nação Brasileira, com gente ordeira e trabalhadora, mas toda regra tem a sua exceção. O que apareceu de repente de lá, do meio do mato assoprando salvação, foi infelizmente uma grande e onerosa desilusão ao país, sem falar da humilhação e uma crescente desigualdade social oferecidas por este matuto aos esperançosos cidadãos brasileiros.

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E é do ar dos campos de lá, que surge agora uma promessa mais recente, pra vingar a todos da decepção dos tiros de sal e pré-sal disparados pelo idealismo de Nassau, bem como a sua gente simples e enganada que recebeu esmola no lugar de hospital e escola, pra nos redimir, quem sabe, do atraso imposto à nação por alguém que sonhou muito alto, mas que ignorou justamente por não ter recebido, que o maior salto nos sonhos de realização de um grande país, é aquele promovido por uma indispensável e valorosa educação!

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Ferry boat são domingos III

Navio tombado

Colisão do Costa Concordia

Navio afundando 1

 

Titanic do poder

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Publicado em 13 de maio de 2014, em ATUALIDADES, CHARGE, CIDADANIA, CIDADES, CULTURA, ECONOMIA, EDUCAÇÃO, FILOSOFIA, GUERRA, INFORMAÇÃO, JUSTIÇA, JUVENTUDE, MATURIDADE, MÚSICA, PARADIGMAS, PAZ, PENSAMENTOS, POLÍTICA, REFLEXÃO, VOZ DIGITAL e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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