O VAMPIRO DE CURITIBA

Dalton Trevisan, curitibano de 1925, reuniu-se ao seleto grupo de brasileiros a ganhar o Prêmio Camões, maior premiação literária luso-brasileira. Isso no ano passado, 2012. Jorge Amado, Rachel de Queiroz, João Cabral de Melo Neto, Autran Dourado, Lygia Fagundes Telles, Rubem Fonseca, Antônio Cândido de Mello e Souza, João Ubaldo Ribeiro e Ferreira Gullar, foram os outros brasileiros a receber este honroso reconhecimento internacional.  Acho que no ano passado o Dalton estava inspirado, pois ganhou também o Prêmio Machado de Assis, oferecido pela Academia Brasileira de Letras (ABL), pelo conjunto de sua obra literária.

Bom, fui vizinho do Dalton Trevisan, na Rua Emiliano Perneta, em Curitiba, coisa de uns duzentos metros. De frente para o apartamento onde eu residia ficava a Faculdade de Direito; A uns 40 metros, ficava a TV Paranaense Canal 12, afiliada da Rede Globo, onde conheci  e conversei com muitos artistas: atores, cantores, compositores, pintores, humoristas… Enfim, uma galera e tanto. Em frente ao Canal 12, ficava a Faculdade de Belas Artes de Curitiba, onde estudou Juarez Machado (que ficou muito tempo no “Fantástico” da TV Globo) e, o “Neguinho”, meu amigo de cor preta, paraplégico, e uma figura humana notável em matéria de talento e calor humano. A “Boca Maldita”, no calçadão da Rua das Flores, eu alcançava andando outros 200 metros em sentido oposto à residência da Família Trevisan, de vidraceiros tradicionais.

Voltando ao Dalton, ele não gostava de sair de casa nem de dia, e nem de receber pessoas estranhas. Era praticamente arrastado para dar entrevistas. Passar próximo de algum hospital, nem pensar, era muito supersticioso pra isso, e tinha arrepios só de alguém sugerir… O livro que ele lançou em 1965, “O Vampiro de Curitiba”, o tirou do anonimato nacional. No último ano que residi na bela capital paranaense, 1975, ele escreveu  “A Faca no Coração”. Em 1977, já no segundo ano de instalação e moradia na “Noiva da Colina”, a também bela e cativante Piracicaba, onde resido até hoje, o Dalton lançou “A Trombeta do Anjo Vingador”.

Não vou negar, a figura humana do Dalton, os títulos excêntricos dos seus livros, bem como seu estilo literário de ficção e fixação pelos ambientes que cercam a morte, sempre me atraíram e alimentavam o meu imaginário “sombrio” da vida, principalmente a urbana.

E nunca havia chegado a uma conclusão definitiva sobre a origem da sua inspiração, sempre fértil e amedrontadora. Até hoje acho que ele era arredio porque temia os seus próprios pensamentos. Eu imagino….

Bom, mas eis que a vida resolveu dar uma grande ajuda, por intermédio dos meus olhos, e tudo fez sentido num “click” apenas…

Foi quando vi, fugi, revi  e arrepio sempre, ao olhar para a foto abaixo.

Feliz Páscoa.

Tente pelo menos e, se puder, não fique olhando pra foto…

Afinal, Páscoa é renascimento… E não morte.

Médica de Curitiba

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Dalton Trevisan

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Curitiba-PR

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Créditos da foto: Pedro Gobett

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Publicado em 30 de março de 2013, em ATUALIDADES, CHARGE, CIDADANIA, CIDADES, FICÇÃO, INFORMAÇÃO, LITERATURA, MEDICINA, PENSAMENTOS, REFLEXÃO e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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